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Aos Pais

UM JOVEM de 17 anos me escreveu para contar o pequeno drama que está vivendo neste período. Ele planejou durante meses uma viagem para o Nordeste com uma turma de amigos. Acontece que, desde que acertou tudo, sua mãe está atormentada. E, como consequência, ela também o atormenta.
Ele conta que vê a mãe apenas à noite, quando ambos vão para casa repousar. Toda santa noite, ela “passa o maior sermão” no filho. Dá mil e uma recomendações, alerta para todos os riscos possíveis, faz o garoto prometer que não aceitará carona de ninguém e orienta o filho a não tomar bebida alcoólica de modo algum.
Acontece que o jovem está tão cansado da ladainha da mãe que já está até considerando a possibilidade de desistir da viagem.
Quem tem filhos adolescentes pode imaginar o que a mãe de nosso jovem leitor está passando. Da mesma maneira, adolescentes que têm pais dedicados também sabem que passar pelo que o garoto está passando não é nem um pouco fácil.
É: uma hora ou outra, os filhos vão querer viver por conta própria. Alguns anseiam por isso muito mais cedo, logo no início da adolescência. Creio que todo mundo conhece jovens na faixa dos 14, 15 anos que já viajam com a turma sem a presença de adultos, que passam o final de semana fora de casa sem nem sequer dar notícias, que ingerem bebidas alcoólicas com a permissão dos pais ou sem o seu conhecimento e consentimento, que dirigem o carro dos pais etc.
Esses jovens acham que vivem o melhor da vida na hora certa. Será que seus pais pensam o mesmo e, por isso, liberam os filhos dessa idade para tanto? Nem todos.
Alguns agem desse modo com convicção mesmo. Argumentam que o mundo mudou, que as crianças e os adolescentes já não são os mesmos e que já têm condições de desfrutar do que chamam de liberdade, porque são mais precoces. Já ouvi pais dizerem que, se dirigir um veículo ou ingerir álcool é permitido mais cedo em outros países, não há motivo para proibirem os filhos de realizar isso aqui.
Já outros pais simplesmente não conseguem bancar as exigências que os filhos fazem e desistem de sustentar a posição que têm. Esses pais se consideram impotentes para impedir que o filho faça aquilo que eles consideram que é cedo para fazer.
O resultado dessa hesitação é que, mesmo a contragosto, acabam dando a permissão que o filho tanto quer. Há pais que reconhecem que o filho cresceu e que, portanto, não devem impedir que ele experimente a vida, mesmo percebendo que nesse trajeto ele possa errar, tropeçar, levar um tombo e até se machucar. Esses pais sabem que esse é um caminho inevitável no desenvolvimento dos filhos, e que nada mais resta senão dar sua orientação.
Finalmente, há pais que tratam seus filhos de 17, 18 anos ou mais como se eles ainda fossem crianças: proíbem muitas coisas e tentam dar, à semelhança de um GPS, todas as instruções para a vida dos filhos. Esse é o retrato do mundo da diversidade, no quesito formação dos filhos: cada família faz o que pode ou consegue com relação aos jovens.
E a mãe de nosso jovem leitor? Ela talvez esteja em grupo intermediário entre os dois últimos citados. Sabe que não deve prender o filho, mas teme por ele. E há motivos.
Entretanto, o excesso de orientações e conselhos dos pais podem trazer algumas consequências inesperadas. O jovem pode entender “” e esse parece ser o caso de nosso leitor “” que não deve continuar sua trajetória em busca de uma vida autônoma. E isso não é bom. Outra possibilidade é ele simplesmente ignorar tudo o que os pais dizem, e isso também não é bom.
Ah! Como tem sido difícil educar os filhos, para que cresçam e vivam por conta própria, em um mundo repleto de adversidades, não é mesmo? Apesar de tantas dificuldades, precisamos continuar a tentar encontrar o equilíbrio salutar.


ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de “Como Educar Meu Filho?” (Publifolha)

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